Oi pessoal! Na nossa discussão de hoje e das próximas semanas, vamos falar um pouco sobre a imagem e seus modos de representação, quer dizer, vamos refletir sobre algumas idéias relativas aos modos de se ver as imagens. Não falo somente em arte, mas em imagens visuais em geral, tanto na forma de imagens mentais ou idéias, como na forma de chapas de raio-x, de imagens de satélites, mapas, histórias em quadrinhos, azulejos portugueses ou logomarcas de empresas.

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Em sentido horário: “Beards”, Herb Lubalin; Bart Simpson (internet); “As 53 estações de Tokaido”, Hiroshige; Serie “Azulejaria em Carne Viva”, Adriana Varejão.

Em primeiro lugar, as Imagens, como as palavras, representam idéias. Diz-se que uma imagem vale por mil palavras porque a intepretação visual é subjetiva, quer dizer, é individual, baseada em coisas como nossas experiências de vida, cultura visual, preferências culturais, e personalidade. Textos verbais, por outro lado, por serem expressos em palavras, são mais objetivamente interpretados, dependendo da estrutura da sua argumentação, porque as palavras possuem significados mais ou menos estabelecidos, enquanto que as imagens, ou signos visuais, são mais livremente interpretados. Textos científicos, por exemplo, são mais objetivos que poesias, que por sua vez se aproximam do conceito de imagem visual.

Tenho muitos amigos artistas, tanto no Brasil como no Japão, que costumam dizer: minha criação expressa o que eu sinto. Esse é um ótimo ponto de partida, pois nossa sensibilidade e percepção do mundo à nossa volta sao essenciais para o pensamento criativo e a originalidade. Digo “pensamento”, porque esse é o outro ponto essencial da criação, seja visual ou verbal. Creio que a componente emocional e perceptiva da criação, em maior ou menor grau, deveria andar junto com a intenção racional, lógica, simbólica ou argumentativa. “Eu sinto mas também penso”, assim como “penso mas também sinto”.

Idéias mentais encontram sua representação em suportes verbais e não-verbais (música, dança, artes visuais, cinema, etc), tendo seus significados estabelecidos nessa relação suporte/matéria e seus modos de representação. Mas o que são “modos de representação”?

São maneiras pelas quais podemos olhar as imagens, os ângulos de visão, as distorções e reflexos, as metáforas e analogias possíveis, os rastros deixados pela imagem, as influências culturais e tecnológicas que agem sobre as imagens e interferem na maneira como culturalmente as interpretamos. Imagens como signos, cujos signficados remetem a outros, tecendo infinitas teias de relações analógicas e metafóricas, ao modo de links no Wikipedia, infinitamente remetendo a outros links.

Continuaremos na semana que vem. Fica o convite para refletir a respeito dessa nossa discussão.

Um abraço!

Christopher Zoellner Pinto

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