O termo Fashion, ou Moda, então, significa a vestimenta que muda de acordo com o tempo, refletindo mudanças culturais e comportamentos sociais, criada por uma complexa cadeia industrial, e usada para refletir personalidades e estilos individuais. Não só a vestimenta segue a Moda como também o design de objetos, a arquitetura, os automóveis, a política, os comportamentos sociais contemporâneos, etc, como bem argumentou GIlles Lipovetsky em “O Império do Efêmero” (1989).

E o que o slogan “Você usa Roupa ou Design?” tem a ver com isso? Vamos concluir, não falando de Moda, mas de Anti-Moda, dando uma rápida olhada na sociedade japonesa contemporânea e em algumas estratégias que os japoneses usam para dessemantizar as vestimentas Anti-Moda (quer dizer, destituir ou alterar seus valores e signfiicados), atualizando-as em termos de Moda e comportamentos, assim construindo um corpo e um Ser-Parecer adequado às suas Identidades frente ao Outro, isto é, à sociedade japonesa em geral.

Certos aspectos da sociedade japonesa baseiam-se no jogo do Ser e Parecer, em que as formas de tratamento interpessoal são linguisticamente determinadas pelos graus de formalidade ou informalidade entre as pessoas. Por exemplo, amigos e familiares tratam-se de uma maneira diferente daquela usada entre pessoas que não são socialmente próximas; isso significa que, entre os íntimos, há liberdade de se exprimir, de se dizer o que se pensa, enquanto que entre colegas e pessoas não-próximas, frases-padrão são usadas como uma maneira de manter um relacionamento harmonioso entre as pessoas. Essas duas formas de tratamento são chamadas Honne (本音) e Tatemae (建前): Honne é formado pelos caracteres “original” e “som”, e Tatemae, por “construir/levantar” e “em frente”.

Por ser o Japão uma sociedade baseada em rígidas normas sociais, os modos de vestir refletem a posição dos indivíduos dentro da escala social. Por exemplo, os uniformes profissionais: funcionários de escritório (salaryman e office lady) usam ternos, trabalhadores da construção civil usam uniformes em diversas cores e modelagens, as crianças e adolescentes usam uniformes escolares padronizados (à marinheira, ternos, saias) e as donas de casa, mais ou menos os mesmos modelos de aventais.

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Como a língua, a roupa é um signo revelador da posição social, determinante do comportamento que se espera de cada um. Assim, a roupa pode servir como um veículo de contestação social, em que pequenas subversões nas combinações e escolhas de formas, cores, modos de dobrar, cortar, encurtar, etc, são largamente usadas por adolescentes e adultos como uma forma de personalizar um look rígido e socialmente determinado. Por exemplo, as colegiais encurtam as saias do uniforme em comprimentos que vão da altura do joelho à microssaia, desabotoam os botões de cima das camisas, os rapazes usam terno e gravata, mas fora da escola afrouxam a gravata, usam tênis velhos e furados, cabelos pintados de louro ou castanho, etc. Funcionários de escritório geralmente usam terno preto com camisa branca, ficando as variaçôes por conta da gravata, das abotoaduras, dos sapatos, das pastas, etc. Funcionárias da JAL, a companhia aérea japonesa, usam as mesmas roupas, mas recentemente ganharam liberdade para usar diferentes modos de amarrar o lenço em volta do pescoço e, quando entrevistadas, disseram sentir-se mais à vontade durante o trabalho, pela diferenciação, ainda que mínima, no ambiente de trabalho.

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E você, como você usa sua vestimenta Objeto-Signo de design? De que modo você constrói sua imagem para si e para o Outro? Essa estratégia está de acordo com seu papel social? E de que modo ela se diferencia das meras Roupas anti-moda?

Que tal deixar-nos umas pistas nos comentários para que possamos saber o que nossos leitores pensam? Um abraço e até semana que vem!

Christopher Zoellner
ピント、クリストファー・ゾエルネル

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