No Japão, essa busca por harmonia nas relações sociais reflete-se em conceitos estéticos como “iki”, “johin”, “jimi”, “shibumi”, “amami”, “hade”, “gehin” e “yabo”, entre muitos outros. Esses, por exemplo, são 8 conceitos que definem gostos estéticos, com valores positivos e negativos, que podem ser organizados em pares opostos e complementares.

Por exemplo, “shibumi” significa “suave”, “adstringente”, guardando relação com “jimi” (quieto). “Johin” significa “elegante, high class”, oposto a “gehin”, “low class”, “brega”. “Hade” significa algo como “berrante”, como quando nos referimos a combinações de cores puras e brilhantes; assim, “hade” é oposto a “jimi”, “quieto”, como os tons de cinzas, verdes e marrons neutros. Cores japonesas tradicionais são “jimi” e “hade”, mas sua combinação é balanceada, formando combinações de cores que expressam conceitos como chique, refinado, elegante (“miyabi”) ou “sabi” (elegância suave, altiva e discreta).

Tem um link muito bacana no Wikipedia que mostra cores japonesas tradicionais. Dê uma conferida: http://en.wikipedia.org/wiki/Traditional_colors_of_Japan

Esses conceitos estéticos são aplicados em toda a cultura japonesa, de objetos a espaços, de pinturas a poesias, resultado de uma cultura tradicional fortemente simbólica e baseada no conceito de elegância discreta, de neutralidade e de harmonia. Diferentemente da Arte do Ocidente, o Japão (e creio que também a China e a Coréia) não desenvolveu o conceito de Arte como fruição estética, que se basta na contemplação de si mesma. A Arte japonesa sempre andou junto com o design de objetos utilitários, espaços e rituais, mesclando influências Shintoístas, Budistas e Confucionistas. Nao é à toa que o design japonês seja considerado sutil e elegante e tenha, até hoje, incorporado elementos emocionais e simbólicos.

hello kitty

Um exemplo muito oportuno é a famosa Hello Kitty. Como se sabe, ela não tem boca, exatamente para cada um de nós imaginar sua expressão facial, de acordo com nosso espírito do momento, assim projetando-nos em sua imagem. A mim, porém, sempre me pareceu que a falta de boca fosse uma proteção ao escrutínio alheio, uma máscara pública para tornar-se invisível aos olhos dos outros. Mais ou menos o que se diz do orgulhoso curitibano de outrora, o nem-tão-da-anedota-assim, que podia morar numa casa há anos e nunca ter cumprimentado os vizinhos. Porém, as motivações serão outras e já nos afastamos do nosso assunto.

Uma ótima semana!!

Christopher Zoellner Pinto

ピント、クリストファー・ゾエルネル

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