“O artista Rio Melodia sofreu censura do governo vigente e precisou driblá-la para continuar se expressando. Com um bom gingado; tocando dali e cantando daqui, fez da sua criação uma obra-prima e um grande legado para gerações futuras.”

utagawa

Rio Melodia poderia ser considerado um expoente da Tropicália dos anos 60. E com o mesmo experimentalismo de Hélio Oiticica reinventando a Arte brasileira sob o olhar da ditadura militar. Mas Rio Melodia não é do Rio, tampouco é brasileiro. É japonês de nascença e brasileiro pela (minha) interpretação. Rio Melodia é a tradução literal do nome do artista japonês Kuniyoshi Utagawa (uta-canto, gawa-rio 1797-1861). Utagawa é o sobrenome do seu mestre e de sua escola, mas foi Kuniyoshi quem reservou a adoção para posteridade.

Famoso artista de Ukiyo-e (xilogravura japonesa), Kuniyoshi foi marcado pela perseguição do shogunato no período da Era Edo . Mas ao invés de reprimir, a censura fez da sua obra um ode à criatividade, inundando-a com muitas cores e muito humor. (Talvez, toda repressão gera um ambiente prolífico à criação – não que eu faça apologia – mas basta ver o período da Tropicália ou o boom da Arte Contemporânea Chinesa).

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Kuniyoshi tornou-se cartão postal do Japão: orgulho aclamado, reeditado, reinterpretado e vendido como souvenir em todos os cantos do país. Mas com razão. É impossível falar de mangás, animes, Takashi Murakami e Arte Contemporânea Japonesa sem citar Kuniyoshi.

Erica Kaminishi


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