Vamos retomar nossa discussão de semana passada sobre affordances e percepção do ambiente cultural em que vivemos. Nossa percepção ambiental, que pode assumir variadas formas, como uma sensação, uma representação ou a criação de pensamentos simbólicos, como os mitos, é combinada com nosso background cultural. Assim, é através do processo de construção de analogias entre diversas referências intertextuais (entre referencias de diversas origens e linguagens) que o pensamento criativo se desenvolve, inclusive entre imagens absurdas e desconexas.
É por meio da compreensão da Natureza que as sociedades e, como consequência, as artes se desenvolveram. Por exemplo, na Europa, o pensamento religioso judaico-cristão separou o mundo dos homens do mundo da Natureza (pelo menos após a criação do conceito de Pecado). Nesse contexto, a Natureza representa o impuro, o primitivo, o selvagem, em contraste com os seres humanos, gerados por um Deus que também é Homem e Filho. Essa concepção filosófica do mundo considera o Homem superior à Natureza, que existe para ser domesticada e por ele culturalizada.
Por exemplo, os jardins de Versalhes ou os jardins ingleses foram moldados e transformados ao ponto de perderem suas qualidades naturais, disciplinados e conformados a regras, assim como as normas sociais guiam a educação ou a burocracia pública, conformando-nos a elas. Por outro lado, em sociedades originalmente não influenciadas pelo pensamento Europeu, como os países asiáticos e os índios do Brasil e da América do Norte, os seres humanos são, ainda hoje, uma parte indivisível da Natureza na qual os deuses são parte da vida, assumindo a forma de árvores, rios e montanhas.watch?v=XO1nSVy8q8I&feature=related

Vamos retomar nossa discussão de semana passada sobre affordances e percepção do ambiente cultural em que vivemos. Nossa percepção ambiental, que pode assumir variadas formas, como uma sensação, uma representação ou a criação de pensamentos simbólicos, como os mitos, é combinada com nosso background cultural. Assim, é através do processo de construção de analogias entre diversas referências intertextuais (entre referencias de diversas origens e linguagens) que o pensamento criativo se desenvolve, inclusive entre imagens absurdas e desconexas.

É por meio da compreensão da Natureza que as sociedades e, como consequência, as artes se desenvolveram. Por exemplo, na Europa, o pensamento religioso judaico-cristão separou o mundo dos homens do mundo da Natureza (pelo menos após a criação do conceito de Pecado). Nesse contexto, a Natureza representa o impuro, o primitivo, o selvagem, em contraste com os seres humanos, gerados por um Deus que também é Homem e Filho. Essa concepção filosófica do mundo considera o Homem superior à Natureza, que existe para ser domesticada e por ele culturalizada.

Por exemplo, os jardins de Versalhes ou os jardins ingleses foram moldados e transformados ao ponto de perderem suas qualidades naturais, disciplinados e conformados a regras, assim como as normas sociais guiam a educação ou a burocracia pública, conformando-nos a elas. Por outro lado, em sociedades originalmente não influenciadas pelo pensamento Europeu, como os países asiáticos e os índios do Brasil e da América do Norte, os seres humanos são, ainda hoje, uma parte indivisível da Natureza na qual os deuses são parte da vida, assumindo a forma de árvores, rios e montanhas.

Como resultado, os produtos da criação humana, como as artes, os ofícios e a linguagem tiveram seus princípios estruturais e estéticos influenciados por essas visões de mundo. No Japão, por exemplo, os princípios estéticos são dirigidos em relação à percepção da Natureza, como wabi (a beleza na impermanência), sabi (a beleza na rusticidade) ou yuugen (mistério e profundidade) – temos que falar logo nesses conceitos, né? Como as artes são um reflexo das muitas facetas da sociedade, entre elas a cultura, os conceitos estéticos também refletem a cultura em que vivemos. No Brasil, por exemplo, devido às nossas formas de colonização, miscigenação e desenvolvimento social, nossas artes visuais seguem conceitos como improvisação, hibridização, carnivalização, bathos e antropofagia cultural.

Também se pode dizer que a arte contemporânea, por refletir o espírito cultural contemporâneo e as contradições de seus backgrounds filosóficos e tecnológicos, não objetiva mais a representação da beleza, da harmonia e do Belo, como há 150 anos atrás. Conforme a sociedade e a tecnologia progridem, os modos de representação da imagem mudam, assim mudando nossa percepção do mundo. Por isso a arte contemporânea não é mais reflexiva e figurativa como foi a arte até o período Impressionista, mas aponta para as contradições da nossa sociedade por meio de novas formas de expressão, materiais e modos de pensar. Quer dizer, a arte contemporânea tornou-se uma Filosofia Visual, propondo novas visões de mundo para a sociedade refletir sobre si mesma e, assim, como os discursos da moda, funcionando como geradora de mudanças sociais.

Forte abraço,

Christopher Zoellner Pinto
ピント、クリストファー・ゾエルネル

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